Bandidos foram tratados melhor do que você em 2020

A única retrospectiva possível para o ano de 2020 é essa: Bandidos foram tratados melhor do que você em 2020.

Cidadãos de bem viram suas empresas sendo interditadas com solda e concreto por ordem do prefeito. Foram algemados e detidos simplesmente por caminhar em praças e até agredidos apenas por tentarem ganhar o pão de cada dia.

Quem não se lembra daquele comerciante que mesmo sem oferecer resistência foi imobilizado com um “mata-leão” por guardas municipais em Maringá e desmaiou no meio da rua?

Ou da mulher que foi algemada e presa pela Guarda Municipal de Araraquara após se recusar a se retirar de uma praça onde estava sentada sozinha?

E ainda de quando Bruno Covas (PSDB), prefeito de São Paulo, mandou soldar e concretar lojas para que o povo não pudesse trabalhar?

Até mesmo a possibilidade de prestar culto a Deus foi ceifada sob justificativa de conter o vírus chinês. Católicos foram impedidos de celebrar a Semana Santa.

Protestantes impedidos de celebrar cultos até mesmo dentro da própria casa. Em Santa Catarina um culto doméstico com cinco pessoas foi interrompido pela polícia por infringir decreto do governador Carlos Moisés (PSL).

Em julho, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) dava conta de das 1,3 milhão de empresas que na primeira quinzena de junho estavam com atividades encerradas temporária ou definitivamente, 39,4% apontaram como causa as restrições impostas pela pandemia do vírus chinês.

O impacto no encerramento de companhias foi disseminado em todos os setores da economia, chegando a 40,9% entre as empresas do comércio, 39,4% dos serviços, 37,0% da construção e 35,1% da indústria.

Enquanto isso…
Enquanto as liberdades eram estranguladas por imposições nunca antes utilizadas para conter uma pandemia e o povo era imerso no caos e no medo,  unidades prisionais liberavam detentos para cumprir prisão domiciliar sob pretexto de evitar proliferação do vírus no sistema penitenciário.

O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendia operações policiais e até o uso de helicópteros em favelas do Rio de Janeiro.

A Corte também libertava da cadeia o traficante “André do RAP” um dos chefes do PCC. Ele que foi condenado por tráfico internacional de drogas a mais de 15 anos em primeira e segunda instâncias e cumpria prisão provisória por tráfico em outro processo, no qual obteve habeas corpus concedido pelo ministro Marco Aurélio.

Estava preso desde 2019 quando foi localizado pela Polícia Federal em Angra dos Reis. Foi solto em 11 de outubro por decisão do STF, que jogou no lixo todo o empenho da PF para colocar o traficante atrás das grades. Atualmente, André do Rap está na lista de procurados da Interpol.

Mas não foi apenas o Poder Judiciário que facilitou para bandidos enquanto você era obrigado a ficar trancado dentro de casa.

A imprensa tratava como vilões policiais que tentavam fazer o seu trabalho, chamava de “democráticos” protestos de Antifas e enaltecia o trabalho da quadrilha que tocou terror em Criciúma (SC).

“Dão uns tiros, é verdade, tem bomba, mas eles fazem aquilo ali só para pegar o dinheiro do banco, não é algo contra o cidadão… eles até deram dinheiro para as pessoas”, comentou David Coimbra, jornalista da Rádio Gaúcha. Para ele, os bandidos, que fizeram 30 pessoas reféns e balearam um policial, têm “respeito pelos cidadãos”.

O Natal estrangulado
Após um período eleitoral de muitas aglomerações e medidas de restrição mais brandas, a maioria dos estados proibiu celebrações de Natal e Ano Novo. A recomendação é ficar em casa e não receber muitos familiares.

Todas as restrições são banhadas no terror psicológico provocado por políticos como Alexandre Kalil, prefeito de Belo Horizonte. Em época de eleição apelou que o povo fosse “em segurança” às urnas, pois precisava dos votos.

Para o Natal, a recomendação é bem diferente: “Cuidado para você não matar seu pai, cuidado para não matar a sua mãe, cuidado para não matar seu amigo e passar o último Natal coma sua família”, alarmou Kalil.

Em Petrópolis, no Rio de Janeiro, na semana do Natal a Justiça Federal determinou o fechamento de templos religiosos e bares.

Em São Paulo, João Doria colocou todo o estado na chamada “Fase Vermelha” do plano de controle ao vírus.

Apenas serviços considerados “essenciais” podem funcionar. No dia seguinte, viajou ao lado da esposa para Miami, onde ficará por dez dias para as festividades de fim de ano.

Você terá que ficar em casa. Não vai poder passear no shopping. Nem trabalhar. Talvez até cancele eventos em família.

Mas bandidos foram autorizados à “saidinha de fim de ano” e vão para casa, mesmo diante do tão temeroso aumento de casos de contaminação pelo vírus. E ninguém fez nada contra isso.

E para coroar ainda mais o ano de privilégios para criminosos, o ministro do STF, Edson Fachin, o mesmo que proibiu operações em favelas do Rio, deu aos presos de todos o país mais um presente.

Concedeu Habeas Corpus coletivo aos detentos que sejam do grupo de risco do vírus. A liminar determina que os tribunais do Brasil deverão conceder liberdade provisória ou prisão domiciliar aos presos que se encontram em locais acima da sua capacidade, que sejam dos grupos de risco e não tenham praticado crimes com violência ou grave ameaça.

O ano de 2020 ficará marcado como uma chaga no peito. O ano em que bandidos foram tratados melhor do que você.

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