Comunidade científica desconfia que há algo errado com a Coronavac

A revista ‘Exame’, na quarta-feira (23/12), fez uma matéria a respeito da ausência da apresentação de dados de eficácia sobre a vacina Coronavac – a vacina chinesa -. O governo de São Paulo já havia adiado a apresentação dos dados, programada inicialmente para o dia 15/12. Agora, a divulgação foi novamente postergada. O novo anúncio do resultado dos testes está programado para daqui a duas semanas. A China ainda não registrou o imunizante.

“O problema é que a falta de uma explicação mais consistente sobre o motivo dos adiamentos começa a deixar os cientistas desconfiados de que pode ter havido algum problema com a vacina”, diz Maria Amélia Veras, epidemiologista da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo e do Observatório Covid-19 BR, para a Exame.

O Butantã alega que os dados não foram apresentados porque haveria divergências com os testes clínicos realizados em outros países como Turquia e Indonésia, onde as revelações também estão sendo conduzidas. Em contrapartida, os cientistas brasileiros disseram que a justificativa não se sustenta, pois “a maior parte dos testes aconteceu no Brasil mesmo”, diz Fernando Reinach, biológo, PHD em biologia celular e molecular pela Cornell University e autor do livro “A Chegada do Novo Coronavírus no Brasil”.

“O novo adiamento dos resultados dos testes de fase 3 da Coronavac levantam a suspeita de que possa haver algum problema com a eficácia da vacina ou com o ensaio clínico do Butantã”, afirmou Reinach a Exame.

Outro fator potencialmente preocupante é o real índice de eficácia da Coronavac. De acordo com o Butantã, os testes clínicos mostraram um índice de eficácia no limiar de 50%, embora ninguém tenha visto os dados. Outras vacinas, como as da Pzer e Moderna, apresentam uma eficácia de 95%. “Uma taxa de 50% significa que apenas metade da população que receber a vacina estará de fato imunizada”, explica Vecina. Caso isso aconteça, um dos problemas que é a população pode acreditar que está totalmente imunizada e descuidar de medidas essenciais como usar máscara e manter o distanciamento social, embora ao menos parte das pessoas de fato adquira anticorpos contra o coronavírus.

*Com informações da Exame

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