Você é diabético e sente uma dor tão aguda que parece uma agulhada?

 

Entenda o que é a neuropatia diabética e como ela pode ser prevenida e tratada.

 

O que é dor neuropática diabética?

“Geralmente, é uma dor que não é muito bem descrita verbalmente, sendo caracterizada como dor “em agulhada”, dor “em queimação”, “em ardência” e dor “em choque”; quando profunda é dita como “surda””.

A dor neuropática diabética, também conhecida como neuropatia diabética,  caracteriza-se por uma experiência desagradável causada pela lesão ou disfunção relacionada ao sistema nervoso central ou periférico em pessoas com diabetes mellitus.

Geralmente, é uma dor que não é muito bem descrita verbalmente, sendo caracterizada como dor “em agulhada”, dor “em queimação”, “em ardência” e dor “em choque”; quando profunda é dita como “surda”.

A neuropatia diabética pode afetar qualquer parte do corpo, causando incapacidade funcional importante, dor crônica e depressão. Ela é uma das principais complicações do diabetes mellitus (DM) e aparece ao longo da evolução crônica da doença e/ou quando não há controle adequado da glicemia. Estima-se que aproximadamente 50% das pessoas com DM desenvolverão neuropatia diabética após 25 anos de doença.

Estudos realizados em outros países e também no Brasil mostraram que a dor ocasionada pela neuropatia diabética causa efeitos negativos na qualidade de vida, influenciando nas atividades do cotidiano, humor, sono, entre outros.

Epidemiologia

A neuropatia diabética é uma das grandes causas de morbidade entre os pacientes diabéticos. Apesar de ocorrer nos dois tipos de diabetes (tipos 1 e 2), essa complicação é mais frequente no diabetes tipo 2. Entre os pacientes que convivem com a doença e apresentam neuropatia diabética dolorosa, 10% têm diabetes tipo 1, 20%, tipo 2, e apresentam dor grave. Estima-se que a prevalência e incidência de neuropatia correspondem a, aproximadamente, 60% dos diabéticos.

Causas

Tendo conhecimento de alguns aspectos básicos sobre a dor neuropática diabética, vamos compreender um pouco como ela é causada.
Para entendermos as causas da neuropatia diabética, devemos analisar o organismo agindo de maneira normal para depois ir conhecendo a causa da doença e dessa dor que acomete tantas pessoas.

O sistema nervoso (que é o sistema que monitora e coordena todas as atividades do nosso corpo) divide-se em duas partes: o sistema nervoso central e o sistema nervoso periférico. O sistema nervoso central compreende o cérebro e a medula espinhal, já o sistema nervoso periférico abrange os nervos que se estendem por todo o corpo.

Os nervos agem como mensageiros responsáveis pela transmissão de informações ao cérebro por meio da medula espinhal. Muitos nervos são isolados por uma camada protetora de proteína e gordura conhecida como bainha de mielina, que potencializa a velocidade da condução dessas mensagens. No caso da diabetes, a alta taxa de glicemia no organismo causa lesão nas bainhas de mielina prejudicando a comunicação entre os neurônios.

A neuropatia diabética pode provocar problemas em todo o corpo, causando muita dor, principalmente nas suas extremidades (mãos e pés). Essa doença também pode causar problemas digestivos, urinários, cardiovasculares, sexuais e de visão. Por isso, é importante saber reconhecer os sinais e sintomas, e fazer exames regularmente ou ao primeiro indício de lesão nervosa.

Diagnóstico

Não há como mensurar a dor neuropática, porém, hoje são utilizados três níveis diagnósticos para isso (caracterizados como: possível, provável e definitivo), além da divisão dos sinais e sintomas. Os níveis “definitivo” e “provável” revelam presença estabelecida de dor neuropática enquanto o nível “possível” indica que esta condição ainda não foi instaurada e, por isso, precisa de investigação suplementar.

Para a avaliação do paciente com dor neuropática diabética, assim como de qualquer paciente com dor, é necessário exame físico minucioso e anamnese com uma boa coleta da história psicossocial, já que na dor também se considera aspectos emocionais do paciente. Além disso, faz-se necessária a caracterização dessa dor quanto a alguns fatores como: intensidade, localização e qualidade.

Em relação a exames complementares para o diagnóstico da doença são realizados diversos testes capazes de verificar a integridade dos nervos e o bom desempenho de suas funções. A eletroneuromiografia é um teste capaz de mostrar evidencias de degeneração do nervo e ocorrência de desminielização, enquanto a ressonância magnética e a tomografia computadorizada são úteis para descartar patologias da medula espinhal. Há também o Teste de Quantificação Sensitiva (TQS) que avalia a sensibilidade dolorosa, térmica, à vibração e pressão. Complementando o teste sensorial há o exame motor (ex: força e movimentos anormais) e o autônomo (ex: regulação da temperatura, sudorese). Ou seja, o diagnóstico baseia-se na descrição da dor realizada pelo paciente, avaliação de sinais clínicos e testes que indiquem disfunção nervosa.

Tratamento

No tratamento da neuropatia diabética devem ser levados em conta os fatores biológicos, psicológicos e sociais. Por isso, a diminuição da ansiedade, melhora do sono e o suporte psicossocial são aspectos importantes para se considerar.

Como na maioria dos casos de dor neuropática a causa não é bem definida, não se pode estabelecer um tratamento ideal para todos os pacientes. A experiência da equipe de saúde na questão do diagnóstico é muito importante para a escolha da melhor forma de tratamento, muitas vezes tendo de se fazer tentativas de erro e acerto.

“Para diminuir os sintomas de dor, uma das medidas mais importantes é o controle glicêmico, associado ao uso de medicamentos que são prescritos pelos médicos, os quais têm o objetivo de diminuir o desconforto doloroso”.

Para diminuir os sintomas de dor, uma das medidas mais importantes é o controle glicêmico, associado ao uso de medicamentos que são prescritos pelos médicos, os quais têm o objetivo de diminuir o desconforto doloroso. Porém, sabe-se que o tratamento com analgésicos comuns levam a resultados insatisfatórios e, assim, os medicamentos mais utilizados para o tratamento da dor neuropática são os antidepressivos tricíclicos e os anticonvulsivantes. Em casos mais selecionados, também são utilizados outros tipos de medicamentos como opióides de efeitos mais intensos. Existem outros tipos de tratamento, como a neurocirurgia e a estimulação sensitiva. Além destes, terapias não farmacológicas, como acupuntura, terapia a laser de baixa intensidade e a estimulação nervosa elétrica percutânea podem ser úteis para alívio da dor e também na melhora da atividade física, sensação de bem-estar e qualidade do sono.

Prevenção

Vários estudos apontam que, assim como a hiperglicemia, outros fatores são agravantes para o quadro evolutivo da doença e, ainda, dos sintomas (como a dor). Alguns desses fatores são: a idade, duração do diabetes, hipertensão arterial, colesterol alto, hábitos deletérios (tabagismo, sedentarismo, ingestão de bebida alcoólica).

Desse modo, podem-se ponderar algumas medidas de prevenção, no que diz respeito à dor neuropática diabética. A princípio, a detecção precoce do diabetes é o meio que apresenta maior probabilidade de se reverter ou retardar suas complicações. Tratando-se, no entanto, de um quadro avançado e, como algumas pesquisas apontam que diabéticos que não controlam a glicemia são mais suscetíveis a esse tipo de dor, o controle glicêmico torna-se a primeira e mais eficaz das medidas preventivas.

Porém, ao tratar-se de um quadro avançado da doença, é primordial e de fundamental importância que seja feito um controle glicêmico do indivíduo.

Concomitante ao controle nos níveis de glicose e à administração do tratamento da diabetes deve-se manter uma dieta saudável, com baixo teor de gorduras e açúcares, trocar os hábitos não saudáveis por atividades que promovam o bem-estar físico e emocional e, principalmente, não fazer uso de medicamentos sem autorização prévia de um médico ou especialista.

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