Médico defende Annita contra a covid-19 e cita caso de Volta Redonda

Desde o início da pandemia, o infectologista Edimilson Migowski defende o uso da nitazoxanida, comercialmente vendida como Annita, no tratamento precoce da covid-19.

Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Migowski lidera um convênio entre a instituição e a prefeitura de Volta Redonda (RJ) e comemora os resultados.

O Ministério da Ciência e Tecnologia conduziu um ensaio clínico com a nitazoxanida envolvendo 1.575 voluntários. Segundo o estudo, divulgado em 24 de outubro, pacientes que receberam a droga tiveram maior redução da carga viral e resultados negativos para o novo coronavírus mais rápido.

Em entrevista a Oeste, o infectologista Edimilson Migowski respondeu a perguntas sobre o tema e resumiu o protocolo que vem sendo adotado na cidade fluminense em 3 pilares:

Prevenção: uso de máscara, higienização das mãos, distanciamento social e vacina (quando houver)
Instrumentalização: orientar as pessoas sobre os sinais e sintomas da doença para que busquem o serviço de saúde rapidamente
Tratamento precoce: uso, com orientação médica, da nitaxozanida
Seis dúvidas sobre a nitazoxanida
1. Pesquisa divulgada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações indica que a nitazoxanida reduz carga viral de pacientes com covid-19. O que isso representa na prática?
Comprovadamente, a nitazoxanida reduz a replicação do vírus, por quatro mecanismos bem determinados e conhecidos. O que foi observado nessa pesquisa clínica era algo que já tinha evidências no laboratório, in vitro [em células isoladas em laboratório]. Isso significa que, provavelmente, a pessoa que venha a receber a droga precocemente, no início dos sintomas, vai ter uma doença de menor gravidade, como menos risco de internação, falência respiratória e morte.

Devido à redução da carga viral, a pessoa também vai transmitir menos esse tipo de coronavírus. A medicação é benéfica tanto para o paciente que está enfermo como para quem tem contato com ele, já que a redução da carga viral ajuda a diminuir o risco de propagação do vírus.

2. O medicamento é indicado para os estágios iniciais da doença?
Em Volta Redonda, todos os pacientes que receberam a medicação até o terceiro dia a partir do início dos sinais e sintomas, tomando 500 miligramas de oito em oito horas por no mínimo seis dias, 100% deles, tiveram evolução satisfatória para a cura.

3. Volta Redonda assinou convênio com a UFRJ para tratamento de casos leves da covid-19. Como está a situação na cidade?
Começamos em 8 de julho e entramos no quarto mês de observação. Até a presente data, sucesso absoluto: zero falência respiratória, zero internação e zero óbito. Na rotina da saúde pública de Volta Redonda, esse medicamento tem, sim, minimizado o sofrimento. Na cidade, aumentaram em 70% as notificações e reduziram-se em 70% as internações, o que mostra o tratamento precoce como eficiente e seguro.

4. Qual o uso original do medicamento?
Nitazoxanida foi utilizada inicialmente para o tratamento de parasitoses intestinais como as causadas por giárdia e amebas. Depois, indicou-se em bula o uso no tratamento de norovírus e rotavírus, que causa muita diarreia, vômito e febre. Também existe emprego no tratamento da hepatite C.

Eu e o professor Davis Ferreira desenvolvemos algumas pesquisas e comprovamos em avaliação de laboratório que esse medicamento também apresentava ação na inibição da replicação de vírus da dengue e de vírus da febre amarela. De lá para cá, surgiram aplicações para outros vírus, como, por exemplo, o da hepatite B, ebola, HIV, vírus influenza, chikungunya, zika vírus e outros.

5. Ele apresenta efeitos adversos?
O efeito adverso mais documentado com esse medicamento, que já foi utilizado por mais de 250 milhões de pessoas no mundo, é basicamente dor abdominal, que quase inexiste quando se administra a droga junto com alimentos.

6. O senhor acredita que está havendo uma politização nos tratamentos?
Infelizmente, tanto em termos nacionais como internacionais, incluindo os Estados Unidos, países europeus e a Organização Mundial da Saúde. Se houvesse mais tecnologia, mais ciência e menos politização desse tema, estaríamos em situação melhor. Muitos erros foram cometidos em nome de uma politização que eu acho bastante deletéria para a saúde pública e mundial.

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