Novo vírus chamado Chapare da Bolívia. Pior do que coronavírus

Novo vírus chamado Chapare da Bolívia. Pior do que coronavírus

Primeiros casos do vírus foram registrados em 2003; doença possui sintomas similares à dengue. Um vírus raro que pode levar à morte foi transmitido entre humanos na Bolívia. O caso aconteceu no ano passado, na província de Caranavi, departamento de La Paz. Na ocasião, dois pacientes com febre hemorrágica tipo Chapare (causada pelo vírus Chapare), infectaram três profissionais da saúde, que vieram a óbito.

O Chapare faz parte da família dos arenavírus. Esses, por sua vez, costumam ser transmitidos para seres humanos através do contato direto com roedores infectados. Seja por mordida, arranhões, ou até mesmo pelo contato com a saliva, urina ou fezes desses animais.

Durante o encontro anual da Sociedade Americana de Medicina Tropical e Higiene, que aconteceu esta semana, houve a confirmação de que a transmissão do vírus ocorreu de pessoa para pessoa, na Bolívia.

A descoberta foi feita por pesquisadores do CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças — agência de pesquisa em saúde pública ligada ao Departamento de Saúde dos Estados Unidos), do Centro Nacional de Doenças Tropicais da Bolívia, e da Organização Pan-Americana de Saúde.

Segundo a virologista Maria Morales-Betoulle, uma das pesquisadoras do CDC, é muito provável que a transmissão seja por meio de fluidos corporais.

“(É provável) com base nas evidências que temos nesses casos e também em exemplos na literatura médica sobre outros arenavírus”, disse ela em entrevista à BBC News Brasil.

Contudo, ela e outros cientistas ressaltam que são necessários mais testes para entender como o vírus se propaga, já que o número de casos ainda é muito pequeno para afirmar qualquer hipótese.

A descoberta de que o vírus Chapare pode ser transmitido entre humanos abre possibilidades para uma epidemia no futuro.

Os sintomas relatados em 2019 eram febre, dor abdominal, vômito, sangramento das gengivas, erupção cutânea e dor atrás dos olhos.

Outros sintomas relatados nos casos de febre fatal são dores de cabeça, dores musculares e nas articulações, diarreia e irritabilidade.

Esses sintomas costumam ocorrer antes do sangramento, que ocorre no estágio mais avançado.

Segundo a cientista Morales-Betoulle, os sintomas do vírus Chapare são parecidos com os da dengue, o que faz com que ele possa ter sido diagnosticado de maneira errada durante anos.

Enquanto a atenção mundial se volta para a cura do coronavírus, cientistas como Morales-Betoulle se concentram em encontrar outras ameaças virais.

Segundo o CDC, houve registros da doença em 2003 no departamento de Cochabamba, também na Bolívia. Na ocasião, o paciente faleceu após 14 dias do surgimento dos sintomas.

Ainda não há um tratamento para a doença. Os pacientes recebem medicamentos para aliviar os sintomas, como remédios intravenosos e para dor. Os arenavírus costumam ter período de incubação variado, entre 4 e 21 dias.

Quais são os sintomas do vírus Chapare?

Os infectados com o vírus Chapare apresentaram sintomas como febre, dor de cabeça, dor no corpo, náusea e sangramento gengival, segundo a virologista do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos Maria Morales-Betoulle. Ela afirma que na América do Sul em geral, quando as pessoas veem casos com esses sintomas, elas imediatamente pensam em dengue e não necessariamente pensam em um vírus raro como o Chapare.

Quando a equipe na Bolívia percebeu que a doença não era causada pela dengue, enviou amostras de pacientes para um laboratório do CDC nos EUA com recursos avançados de sequenciamento do genoma. Foi lá que, para surpresa dos pesquisadores, o vírus foi identificado como Chapare. O vírusem questão é muito mais difícil de ser trasmitido do que o coronavírus. Embora o coronavírus seja facilmente transmissível pela via respiratória, o Chapare se espalha pelo contato direto com fluidos corporais no auge da doença.

As pessoas que correm o risco de contrair o vírus Chapare são aquelas que têm contato próximo com os doentes, como profissionais de saúde e familiares que cuidam de pessoas em casa. Além disso, o vírus Chapare é bastante específico geograficamente. O relatório forneceu algumas evidências de que o rato arroz pigmeu de orelhas pequenas pode ser portador do vírus, e esses ratos só são encontrados em certas partes da América do Sul.

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