Hipertireoidismo: tratamento depende da gravidade da doença


O hipertireoidismo é causado pela produção excessiva de hormônios tireóideos (T3 e T4) resultante do aumento da função da própria glândula, ao passo que a tireotoxicose é um termo mais amplo, que se refere a qualquer condição na qual há de excesso desses hormônios.

Várias doenças da glândula tireoide podem levar ao aumento da produção
dos hormônios tireóideos, mas é importante mencionar que nem sempre o
problema está na tireoide (Quadro 1).

A causa mais comum de
hipertireoidismo é a doença de Graves, que ocorre quando o organismo
produz anticorpos que estimulam o funcionamento da glândula. Pode ser
decorrente, também, de um ou mais nódulos tireóideos que fabricam
hormônios tireóideos em excesso (bócio uni ou multinodular tóxico,
respectivamente) ou de processos inflamatórios da tireoide, tais como, a tireoidite de Hashimoto ou a tireoidite pós-parto. Há varias outras
causas, incluindo as mais raras, entre elas, um tumor na hipófise capaz
de produzir grandes quantidades do hormônio estimulador da tireoide
(TSH) ou um tipo específico de tumor de ovário, denominado struma
ovarii.

O hipertireoidismo pode resultar ainda de ingestão excessiva
de iodo ou de substâncias com alta concentração de iodo, como alguns
comprimidos de alga, expectorantes e do medicamento amiodarona
(frequentemente usado para no tratamento de arritmia cardíaca).

Uma
causa importante de tireotoxicose é a ingestão de hormônios tireóideos
na tentativa de diminuição de peso corporal. Neste último caso, a
situação pode ser particularmente prejudicial, já que além de haver
grande perda de tecido muscular, a ingestão de dose elevadas de
hormônios tireóideos pode ser potencialmente fatal.

Quando o
hipertireoidismo é leve, denominado subclínico, o indivíduo geralmente
não tem sintomas e, quando tem, eles são de pequena intensidade. Por
outro lado, quando o hipertireoidismo é mais intenso (hipertireoidismo
franco), vários sinais e sintomas estão presentes.
Neste caso, sem dúvida, a pessoa necessita de tratamento, mesmo porque o
hipertireoidismo pode ser grave o bastante para colocar em risco a vida
do indivíduo. Contudo, no caso do hipertireoidismo subclínico a
necessidade de tratamento é discutível. A decisão de tratar o
hipertireoidismo subclínico deve ser tomada pelo endocrinologista
levando em consideração todos os riscos e benefícios envolvidos para
cada um dos pacientes.

Visto que a tireotoxicose pode ocorrer por
motivos diversos (Quadro 1), as estratégias terapêuticas serão
escolhidas de acordo com a causa do problema de cada indivíduo.

No
caso da ingestão intencional de hormônios tireóideos para redução de
peso, por exemplo, a simples suspensão corrige a tireotoxicose. No caso
da doença de Graves, três tipos de tratamento estão disponíveis: os
medicamentos antitireóideos, a cirurgia e a ingestão de iodo radioativo. Para os nódulos produtores de
hormônios tireóideos, além dessas três modalidades terapêuticas, pode-se
realizar a sua destruição com LASER, radiofrequência e etanol. As
pessoas que tem Tireoidite de Hashimoto e tireoidite pós-parto são
tratadas com os medicamentos antitireóideos, porquanto o
hipertireoidismo é transitório.

Além da causa do hipertireoidismo,
vários outros fatores devem ser avaliados para a escolha do tratamento
mais adequado, tais como a gravidade da doença, a presença de outras
doenças que possam interferir no tratamento, a presença de gestação, a
idade, etc.

Assim, é evidente que o diagnóstico e o tratamento da doença são complexos. Neste caso, a experiência do endocrinologista será imprescindível para a escolha da estratégia terapêutica mais adequada.

Quadro 1 – Causas de Tireotoxicose
1. Doença de Graves (bócio difuso tóxico)
2. Bócio uninodular tóxico
3. Bócio multinodular tóxico
4. Tireoidites: subaguda, autoimune ou de Hashimoto, pós-parto, pós-ingestão de citocinas, etc.
5. Adenoma de hipófise secretor de TSH
6. Tumores trofoblásticos produtores gonadotrofina coriônica (mola hidatiforme e coriocarcinoma)
7. Induzida pelo iodo
8. Induzida pela ingestão do medicamento amiodarona
9. Radiação
10. Tireotoxicose factícia: quando há utilização intencional ou não de hormônios tireóideos
11. Tumor de ovário – Struma ovarii
12. Metástases de carcinoma folicular capazes de produzir hormônios tireóideos

 

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