Prefeita de cidade no Piauí entra na Justiça após ter ‘cadela’ batizada com seu nome

Para gestora Carmelita Castro ‘batizado’ do animal teve conotação política.

A Prefeita de São Raimundo Nonato (PI), Carmelita Castro (Progressista), procurou a Justiça após uma cadela do município ter sido batizada com seu nome e um jornalista da cidade ter usado o caso atípico de homônimo para falar da gestão municipal.

Tudo teria começado após uma cadela de rua ter sido resgatada por uma protetora de animais nas proximidades da casa da prefeita. Na época, uma “campanha” nas redes sociais com escolha popular teria agraciado a cachorrinha com o nome da gestora. Entretanto, mesmo com todos os cuidados recebidos, a cadelinha acabou falecendo.

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Foi então que entrou nessa história o jornalista Thiago Negreiros que repercutiu a trágica morte da cadelinha e usou o termo “Carmelita Morreu”, para falar não só do projeto social de ajuda aos animais, mas também de denúncias referentes a saúde no município. Por conta disso, a prefeita Carmelita entrou na Justiça contra a protetora de animais Eliane Oliveira, o jornalista Thiago e o veículo de comunicação pelo qual ele trabalha, pedindo a remoção da publicação e coibição do uso do termo “Carmelita morreu”.

Porém, no entendimento do Juiz Carlos Alberto Bezerro Das Chagas, o repórter foi a São Raimundo conhecer o projeto de amparo a animais idealizado pela representada Eliane e depois pretendeu fazer coberturas atinentes à saúde pública do município, tema de interesse comunitário. Como a cadela que levava o nome da atual prefeita tinha morrido, aproveitou-se disso para formular uma crítica, ainda que de modo peculiar, ao desempenho da administração, anunciando que a Carmelita (= a gestão) morreu (= fracassou). Quer dizer, usou técnica argumentativa de personificação, considerando a gestão pela gestora. Afinal, é comum referir-se a uma obra por seu autor, relatou o juiz em sua decisão.

Ainda para o juiz, o jornalista e a protetora de animais não descarta que o caso possa ter tido algum interesse político, porém, como não esta no período de propaganda eleitoral não há porque as pessoas serem apolíticas, visto que elogios e críticas, mesmo ácidos, são inerentes à gestores políticos.

A decisão está no diário do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PI) desta segunda-feira (17/08/20).

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